Nascemos para Correr - 3S Projetos

O que leva centenas de pessoas a lotarem as ruas brasileiras e estrangeiras aos domingos de manhã, para correr meias maratonas e maratonas? Alguns podem dizer que essa vontade vem da sensação da adrenalina correndo nas veias, ou até mesmo do desejo de superar seus próprios limites a cada passo a mais. Mas e se for mais do que isso, e corremos porque nascemos com essa necessidade? É isso que o paleoantropólogo da Universidade de Harvard, Daniel Lieberman e o biólogo da Universidade de Utah, Dennis Bramble, acreditam.

 

Ao longo dos últimos dez anos, os pesquisadores e suas equipes têm defendido que os seres humanos são atletas natos de longas distâncias, uma técnica usada como uma estratégia adaptativa importante. Contrariando a tese vigente de que os humanos só faziam pequenos sprints para caçar ou fugir, os pesquisadores foram mais fundo, até o estudo do biólogo David Carrier, que defende que a corrida de resistência surgiu da necessidade de perseguir também as presas, antes da invenção de flechas e lanças.

 

O que, segundo o estudo, nos faz feitos para correr é um arsenal de características. O crânio deixa escapar o suor pelo escalpe e face, arrefecendo o sangue e oxigenando melhoro cérebro; um ligamento que desce da base do crânio até as vértebras torácicas, que absorve os impactos e ajuda a contrabalancear ombros e braços; a rotação independente do corpo em relação à cabeça, que se dá devido ao desligamento dos ombros do pescoço e cabeça; antebraços menores e com menos músculos para facilitar o movimento e equilibrar as partes do corpo; pernas longas com ligamentos e tendões que funcionam como molas que acumulam e liberam energia mecânica.

Nascidos para Correr - 3S Projetos

Um ponto importante da pesquisa é sobre o ligamento nucal, uma estrutura anatômica que vai da nuca à coluna que possibilita que fiquemos com a cabeça erguida ao correr. Em um experimento feito com porcos, Lieberman e Bramble perceberam que ao colocar os bichinhos para correr na esteira, eles eram incapazes de manter a cabeça erguida, pela falta desse ligamento.

 

E por fim, entra a importância dos glúteos nesse processo evolutivo. Os chimpanzés, nossos parentes mais próximos, quase não tem bumbum. O glúteos maximus é um grande estabilizador durante corridas de longas distancia. E como evidencia Liberman, ele é muito usado para correr, mas quase não é ativado pela simples caminhada. Coincidência?

 

“Hoje, a corrida de resistência é antes de mais nada uma forma de exercício e de recreação, mas as suas raízes podem ser tão antigas quanto as origens do gênero humano”, acredita Lieberman. “A habilidade humana para correr longas distâncias, como uma maratona, nem é um simples subproduto da habilidade de caminhar. Pelo contrário, correr tem profundas raízes evolutivas. Embora os humanos já não precisem correr, a capacidade e vontade de correr maratonas é a manifestação moderna de um traço humano único que contribui para fazer dos humanos aquilo que eles são”.

 

Fonte: Jornal Corrida e JN Running Portugal.

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