Nas vésperas do Dia Mundial da Água, comemorado neste 22 de março, a ONU lançou uma nova versão do seu Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos. Esse relatório é um documento importante que traz dados, estatísticas e informações sobre os recursos hídricos globais, que buscam conscientizar a população mundial a favor do uso consciente e sustentável.

 

Os dados sobre a escassez hídrica e de saneamento trazidos pelo relatório neste ano são alarmantes: mais de 2 bilhões de pessoas não dispõem dos serviços mais básicos de saneamento, um direito humano reconhecido internacionalmente. O relatório explora os sinais de exclusão e investiga formas de superar as desigualdades.

 

“O acesso à água é um direito vital para a dignidade de todos os seres humanos”, declarou a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Audrey Azoulay. “Ainda assim, bilhões de pessoas continuam sendo privadas desse direito”.

 

A população mais afetada pela falta de água potável e saneamento são povos pobres e marginalizados, afetados de maneira desproporcional, o que auxilia no aumento das desigualdades sociais já crescentes. Em escala mundial, metade das pessoas que bebem água retirada de fontes não seguras vivem na África. Na África Subsaariana, apenas 24% da população têm acesso à água potável segura, e 28% têm instalações sanitárias básicas que não são compartilhadas com outras residências.

 

Discrepâncias importantes quanto ao acesso existem até mesmo dentro dos países, de forma clara entre pessoas ricas e pobres. Em áreas urbanas, as pessoas desfavorecidas que vivem em acomodações improvisadas sem água corrente muitas vezes pagam de dez a 20 vezes mais do que seus vizinhos em bairros mais ricos por uma água de qualidade similar ou inferior comprada de vendedores ou de caminhões-pipa.

 

O direito à água, como explicam os autores do relatório, não pode ser separado de outros direitos humanos. O documento também demonstra que investir em fornecimento hídrico e saneamento faz sentido em termos econômicos. O retorno do investimento é alto em geral e também no caso específico das pessoas vulneráveis e desfavorecidas, especialmente quando são considerados benefícios mais amplos, como saúde e produtividade. O fator multiplicador para o retorno do investimento foi estimado mundialmente em 2 para a água potável, e em 5,5 para o saneamento.

 

Com o alerta dado pela ONU, algumas decisões já estão sendo tomadas para reverter a situação da escassez hídrica. Apesar de ainda serem poucas, ações compartilhadas por empresas, instituições e pessoas do setor público e privado geram um impacto positivo e impulsionam novas atitudes.

 

A solução a longo prazo para essa problemática é economizar água e recursos naturais, e cobrar políticas públicas que diminuem a desigualdade e forneçam abastecimento adequado de água e saneamento a todos.

 

Fonte: Nações Unidas BR

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